Sim, o assunto está um pouco atrasado, mas não menos importante...

Quando falamos em Legado, a ideia imediata é de continuar os passos daqueles que ficaram para trás com alguma missão inacabada, ou manter o status quo adquirido com tanto esforço. E se tratando da Nintendo, a ideia de legado, ao menos em um primeiro momento, parece dúbia devido ao momento em que empresa passa, seja antes ou depois da morte triste de Satoru Iwata.

Por um lado, temos o falecimento de uma figura importante dentro da Nintendo, seja como CEO, seja antes como desenvolvedor e produtor de games importantes na Big N. Por outro, o ex-presidente era um dos alvos da frustração dos fãs com a situação atual do Wii U - afinal, ele era o presidente - e uma de suas últimas ações foi justamente procurar amenizar os ânimos exaltados de todo mundo após a E3.

Então, sem colocar ninguém em algum relicário, qual seria o legado que os próximos dirigentes da Nintendo, e de certa forma, os usuários, desejam seguir?

A Integridade Pessoal


Daqueles jogos sem pé nem cabeça
mas até que divertidos
Confesso que, apesar de não gostar da gestão atual do Iwata, com os problemas que o Wii U vinha enfrentando nos últimos tempos, não conhecia a importância do executivo no histórico de games da empresa. Sabia de sua participação na criação de Kirby, em Baloon Fight (que tive o prazer de passar raiva jogando em um emulador furreca de PSX), mas nem de longe imaginava seu papel vital em games como Earthbound e Pokémon Stadium, só para citar alguns exemplos.

Mas mais interessante, foi saber da postura enquanto profissional, sobre baixar o próprio salário para não demitir funcionários no período de crise da Nintendo, sua postura contrária a maneira como DLCs e conteúdos do tipo estavam sendo exploradas de maneira abusiva pelas outras empresas, e o compromisso em manter a marca Nintendo, seguindo por um caminho diferente dos demais, e mantendo a empresa em destaque no mercado.

Era um pouco ridículo, mas foi bom saber que o CEO de uma empresa pode largar a postura de "Executivo Engomadinho".

É um pouco triste ter todas essas informações apenas no momento de seu falecimento, para entender uma importância muito maior do que se imagina no mercado. E ao ver a relevância que Satoru tinha entre todos os demais desenvolvedores de outras empresas - ao menos no que nós sabemos -, me faz ter um pouco menos de antipatia por executivos, que por vezes podem chegar lá pelo esforço e mérito próprio, e não por favores ou atalhos questionáveis.

Pensando por esse ponto de vista, se o próximo CEO da Nintendo, que ao que tudo indica, seja Genyo Takeda, manter ao menos parte dessa postura do Iwata, porém direcionando os negócios em melhores direções, podemos ter uma boa expectativa de que o seu legado será mantido.

O que nos leva a outro caso "curioso" de se pensar.

A Consciência da Morte


Você que está lendo aí pode não ter visto minha última coluna, em que comentei que estava cada vez mais difícil de acompanhar comentários sobre cultura pop na web. Um bom exemplo disso foi ao ver a repercussão da morte de Satoru Iwata, ou mesmo antes com a polêmica da E3. A mudança do "EU QUERO QUE ELE MORRA" para "FOI EMBORA UM MITO" foi quase instantânea.

Isso sem mencionar os comentários sobre o enterro da Nintendo junto com o desenvolvedor; o desejo cada vez maior de ver as franquias da Big N nos concorrentes, e o caso que pessoalmente me causa mais revolta: quem é a mais gata do site XXXXXXX dentro da notícia da morte do CEO...

Por mais que o sentimento em si tenha passado, e que não tenha esquentado a cabeça a ponto de falar algo no post em si, tenho me impressionado, negativamente, como certos assuntos sejam banalizados desta forma.

Mas voltando ao subtítulo do tópico, casos como estes e tantos outros que aconteceram e irão acontecer - afinal, ninguém é fisicamente eterno - mostram uma faceta dos desejos feitos em momentos inapropriados. Se por um lado citei alguns casos acima, em outros tive a oportunidade de ver boas iniciativas entre os fãs, como a do mod de Baloon Fight com a figura do CEO, por exemplo. Quando se tem boa vontade, a morte é algo efêmero.

Se você lembra do impacto dessa cena na sua infância, não trataria a morte como algo tão banal.

E quando se vive algo que acredita, como acredito que Satoru tenha em seus bons e maus momentos como desenvolvedor, CEO e gamer, você entende o que é legado, e o que se faz com ele de fato.
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