Muitos jogos possuem objetivos específicos, seja para finalizar uma fase ou para completar as missões do game. De qualquer forma, eles servem para que o jogador tenha metas e fique mais interessado pela continuidade do jogo. Animal Crossing vai contra essa tendência e é um jogo sem objetivos fixos. Preocupado com a interação entre jogadores, ele deixa as pessoas livres para fazer o que bem entendem (o jogo tem seus limites, óbvio). Nossa Máquina do Tempo vai viajar para o Cubo da Nintendo e mostrar o início dessa grande franquia.

Quatro versões de um jogo só


Antes de ser lançado para o GameCube, Animal Crossing já estava sendo desenvolvido para o famoso Nintendo 64 DD. Como essa extensão do console N64 estava muito atrasado, a Nintendo decidiu lançar o jogo para o console normal, mesmo, com o nome de Animal Forest. Tudo isso aconteceu somente no Japão, sendo que o cartucho necessitava do Expansion Pak para funcionar corretamente. Como o sucesso foi estrondoso lá nas bandas orientais, a Big N resolveu fazer uma remasterização do game para o novo console que já estava pronto.

Saindo do Japão, Animal Crossing veio direto para o ocidente através do GameCube. Apesar de ser a versão ocidental de Animal Forest, o jogo possuía algumas diferenças e ficou conhecido principalmente por ser o primeiro da saga Animal Crossing a viver por este lado do planeta. O jogo foi desenvolvido por Katsuya Eguchi, que já havia trabalhado como designer gráfico de Super Mario Bros 3.

A escala de tradução da primeira versão japonesa era simplesmente imensa. Levou seis meses para ficar pronta. Eles traduziram centenas de linhas de texto, criaram novos feriados, novos itens e foi considerado o jogo com a maior tradução feita pela Nintendo da América. A versão traduzida impressionou tanto os desenvolvedores japoneses que eles decidiram pegar esta versão e traduzir novamente para o Japão, vendendo o jogo com o nome de Animal Forest +. Essa versão vendeu mais de 90 mil cópias na primeira semana de vendas no Japão.

A ideia principal do jogo, era que ele trabalhasse com o relógio interno do console, fazendo com que o tempo passasse mesmo com o console desligado. Mas a concepção do game veio de uma ideia muito mais profunda e antiga, que surgiu da mente do idealizador de Animal Crossing catorze anos antes da criação do jogo. Katsuya havia se mudado para a cidade de Kyoto, cerca de 460 km de distância de sua cidade natal, Tóquio. Lá ele percebeu o quanto sentia falta de sua família e o quanto eles eram importantes. Ele decidiu que queria recriar essa sensação de solidão (vai entender) e assim a ideia começou a ter forma. É basicamente um garoto que se mudou para um lugar estranho, desconhecido e que está muito longe da família e só pode se comunicar através de cartas.

Pagando a hipoteca


Por conta própria, uma garota ou garoto (depende da escolha do jogador) embarca em um trem, para viver uma nova vida em um pequeno vilarejo habitado por animais humanoides inteligentes. Entretanto, a personagem esquece de encontrar um lugar onde viver antes de ir até o vilarejo e só tem suas roupas no corpo e 1000 Bells. No trem, um gato chamado Rover senta ao seu lado e começa a conversar. Ao perceber a situação da personagem, o gato liga para um amigo que está na cidade, pedindo para que ele ajude o seu novo amigo.

Já na cidade, a jovem personagem é recebida por um guaxinim super afobado, chamado Tom Nook (coincidência?). Ele se apresenta como o amigo de Rover e conta que é dono de uma loja na cidade. O guaxinim também apresenta quatro casas disponíveis para venda, que são pequenas e sem mobília, mas que irão atender às necessidades da personagem no momento. Mesmo assim, elas estão um pouco caras e fora do orçamento da personagem. 

Sabendo que o novo chegado não poderá pagar pela casa, Tom Nook decide contratá-lo para que ele possa pagar o que ficaria devendo ao comprar a casa. Durante esse período de trabalho, a personagem conhece os moradores da cidade, o prefeito e se familiariza com o serviço de Correio, a loja de roupas/alfaiataria das irmãs Able, o Museu, a Delegacia de Polícia e outros locais.

Depois de completar as tarefas de Tom Nook, ele não tem mais nada para a personagem fazer e a libera, para trabalhar com o que quiser. A personagem faz outros trabalhos pequenos para os moradores do vilarejo, ganhando dinheiro e conseguindo se sustentar. Cada vez que um pagamento da hipoteca é concluído, Nook fará atualizações na casa, melhorando coisas ou acrescentando outras. Toda vez que ele faz isso a dívida com Nook aumenta, sendo a última adição a mais cara.

Simples e eficaz


Animal Crossing não possui um objetivo em específico. Ele vem com o conceito de que o jogador faça parte da pequena comunidade onde está morando (ele escolhe o nome do vilarejo) e melhore-a gradativamente, ao interagir com os vizinhos e também ao expandir a própria casa. É possível escrever para os vizinhos, pescar, coletar itens, doar objetos para o museu e fazer outros favores à vizinhança.

É muito importante interagir com os outros moradores, pois assim eles irão pedir favores, contar um pouco sobre suas vidas e o que está acontecendo em volta deles. Outro fator fundamental é cuidar os horários do jogo. Como funciona com o relógio interno do GameCube, o tempo continua contando mesmo com o console desligado, fazendo com que o ambiente do vilarejo funcione como na vida real.

Além do horário de trabalho dos habitantes serem diferenciados, festivais, eventos e competições acontecem no jogo, de acordo com as datas. As estações do ano e as datas comemorativas também tem suas representações e existe itens que só podem ser encontrados em determinada época do ano. Os controles são bastante simples, sendo que o jogador não demora muito para dominar todos os comandos. 

O jogo não permite um modo multiplayer, com vários jogadores ao mesmo tempo no vilarejo criado. Mas é possível que até quatro pessoas joguem alternadamente no mesmo local, usando o mesmo memory card. Cada um terá uma residência local, e irá interagir com o mundo criado da mesma forma, além de poder interagir com os outros personagens humanos, trocando cartas, mandando presentes e visitando as casas. É possível visitar outros vilarejos plugando outro memory card no seu console, fazendo com que seu personagem viaje até o vilarejo de outros jogadores. As vilas são geradas de forma randômica, portanto tudo será diferente da própria vila.

Quando você visita a vila de outro jogador, também poderá interagir com os outros personagens e habitantes e eles irão lembrar do seu personagem. Caso exista alguma fruta que não tem na sua vila, você pode pegá-la da outra vila e plantar na sua própria. Essas frutas valerão um preço maior, por não serem nativas. Além disso, pode-se trocar itens com os outros jogadores. Para isso basta apenas ir até a loja do Tom Nook, e levar o item que você quer trocar. Ao saber o nome da cidade, você irá receber um código que pode ser usado para resgatar o item.

Uma vida de gameplay


  • Uma partida de Animal Crossing para GameCube pode durar um período estimado de 29 anos;
  • Animal Crossing é o único da série que permite jogar jogos de NES;
  • Ao conectar o GameCube com o Game Boy Advance o jogador tem a possibilidade de visitar uma ilha que é gerada randomicamente;
  • Nessa ilha, que só pode ser acessada por meio da conexão entre os consoles, o jogador encontrará um local completamente novo, com uma casa de praia para redecorar a sua vontade e um morador carismático que adora visitas;
  • Na ilha o jogador também pode encontrar jogos de NES que só podem ser conseguidos dessa forma;
  • Em alguns momentos, os habitantes irão pedir para você encontrar o Pokémon Pikachu deles. Isso é uma referência ao game estilo “tamagochi” do Pikachu;
  • Também é possível desconectar os consoles e contanto que o Gameboy não seja desligado, jogar os jogos de NES e até mesmo Animal Crossing pelo portátil;
  • Se o jogador for até um vilarejo de outro jogador e resetar o console antes de voltar para a própria cidade, a próxima vez que ele carregar o jogo, irá aparecer com o rosto do Gyroid;
  • Na versão Japonesa, Jane teria uma pele marrom, pelo branco, olhos cansados e lábios grandes e rosas. Esse design foi alterado drasticamente nas outras versões, pois poderia ter problemas de conotação racial;
  • Alguns itens descartados podem ser acessados através de códigos. Isso inclui um peixe azul, que provavelmente foi usado para testar o sistema de pesca;
  • O condutor do trem Porter é baseado na canção japonesa “The Monkey Palanquin Carrier”;
  • O jogo seria lançado como Animal Forest também no ocidente, mas a ideia acabou não vingando.
A personagem com o rosto do Gyroid


Jogue para sempre


O game foi um sucesso no Japão desde o seu início. Com um estilo de jogo que poderia não emplacar por aqui, a Nintendo decidiu arriscar e não se arrependeu. Das 3 milhões de unidades vendidas, 60% dos lucros foram resultados vindos só dos EUA. A média de 8.5 dada pela crítica especializada foi um prêmio pelo investimento no jogo.

A quantidade de conteúdo do jogo é impressionante. É possível customizar praticamente tudo, fazendo com que o jogo se torne aquilo que o jogador deseja. Isso tudo deixa o jogo inteiramente imersivo, deixando o game social quase como uma obrigação de ser visitado. É claro que isso acontece de forma natural, você vai querer jogar outros games, mas pelo menos 20 minutos vai passar na sua vila para ver como as coisas estão andando.

O gameplay é praticamente infinito. Sempre existe uma coisa nova para se fazer. A simplicidade dos controles deixa tudo mais fácil e divertido. Além disso, os gráficos são bonitos e agradáveis. Nada de extraordinário, mas ele é bem adequado para com a proposta do jogo. A trilha sonora foi muito bem trabalhada e é bastante marcante. Existem músicas que só tocam em horas específicas do dia, o que deixa o jogador ansioso para o momento da música preferida.

Animal Crossing conquistou o ocidente de forma memorável. Seus personagens aparecem hoje em diversos jogos e são adorados. A franquia se expandiu muito bem e segue firme e forte. É sempre bom lembrar de onde veio e apesar do jogo parecer cansativo, com certeza é preciso somente testá-lo para viciar um pouquinho.
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