Quando a Nintendo lançou Mario como seu novo herói dos games, o protagonista conquistou fama mundial e se tornou o novo mascote da empresa. Muitos jogos foram lançados durante sua trajetória e ele enfrentou diversos inimigos ao longo dos anos. Depois de vencer Bowser inúmeras vezes o bigodudo descobriu sua cara metade invertida e ganhou um rival do seu tamanho. Wario se tornou um personagem querido e começou a protagonizar seus próprios jogos. Hoje a nossa Máquina do Tempo vai viajar para a companhia de games de Wario, em Wario Ware, Inc: Mega Microgame$.

Wario, o novo artista


O nome Wario vem da combinação das palavras Mario e warui (que significa mau em Japonês). O personagem foi criado por Gunpey Yokoi para representar o oposto de Mario. Ele apareceu pela primeira vez em 1992, como adversário de Mario no jogo Super Mario Land 2: 6 Golden Coins para Game Boy.

Anos mais tarde, depois de cair nas graças do povo, o personagem malvado teve um jogo lançado em 2003, para o portátil Game Boy Advance. A responsabilidade da direção deste game ficou com Hirofumi Matsuoka, responsável por vários jogos que envolvem Wario e também é o designer do Metroid original e designer gráfico de Super Metroid. O conceito foi baseado em um jogo lançado para o famigerado Nintendo 64DD, chamado Mario Artist: Polygon Studio. O jogo, que foi lançado apenas no Japão, permitia aos jogadores criarem modelos em polígonos 3D. O modo Sound Bomber tinha seis minigames para serem vencidos com os modelos criados pelo jogador.

O jogo foi desenvolvido por uma das equipes da divisão R&D1, da Nintendo, mas ele começou a ser produzido escondido do gerente dessa divisão. Wario foi escolhido para protagonizar o jogo pois a equipe acreditava que ele seria o melhor, por estar sempre fazendo alguma besteira ou algo idiota. Depois de inserirem o gorducho no jogo, eles criaram diversos personagens que se tornaram recorrentes na série.

Depois de estarem satisfeitos com o projeto, eles apresentaram para o gerente, que aprovou a ideia e mandou eles continuarem com o trabalho. Todos na divisão começaram a se encantar pelo jogo e quiseram dar algum pitaco sobre os minigames e as artes que iriam para o jogo. Inclusive Shigeru Miyamoto teve sua parcela de participação. Ele deu dicas de como fazer um marketing de qualidade do jogo e permitiu que o slogan “More! Shorter! Faster!”, usado na box art japonesa, ultrapasasse em tamanho o próprio nome do jogo e o rosto do Wario.

Get rich or die trying


Em uma noite, Wario está descansando no sofá de sua casa, em Diamond City. Ao ligar a televisão, ele vê uma reportagem sobre o aumento das vendas de video-games. De acordo com o repórter Ken, isso se deve aos jogos populares, como Pyoro, e que eles estão fazendo muito dinheiro.

Wario fica encantado com a possibilidade de ganhar bastante dinheiro e logo pega sua motocicleta e parte para centro, com a intenção de comprar um computador. Ele transforma sua casa na empresa WarioWare, Inc. e começa a produção de games. Mas sem ideias de criar um, ele decide chamar seus amigos para ajudá-lo e, felizmente, todos aceitam de bom grado.

Sem muito dinheiro para gastar, ele e seus amigos, que tem a produção de jogos como um grande amor, fazem vários microgames bastante simples, mas muito divertidos para se jogar em single player. O jogo se torna um sucesso comercial e rende muito dinheiro para Wario e seus amigos.

Mas uma coisa inesperada (nem tanto) acontece: Wario enagana seus amigos, sem pagar os salários, pega todo o dinheiro e foge com ele em sua nave espacial instalada na empresa. Eles ainda tentam pegá-lo, mas ele acaba escapando e parte pelo céu. No trajeto, o foguete acaba sendo atingido pelo Dr. Crygor, um dos amigos de Wario. Os dois caem no mar e depois começam a remar com o foguete destruído até um local seguro.

Simples e eficaz


O jogo se baseia em diversos minigames que duram apenas alguns segundos e tem o gráfico bastante simples, dentro do próprio Game Boy Advance. Os controles também seguem essa simplicidade, pois muitos utilizam apenas os direcionais ou o botão A. O jogador tem que fazer o que o jogo estiver mandando e deve obedecer de forma rápida, pois existe um limite de tempo.

Essas ordens que o jogo dá vêm em frases curtas e variam entre diversas coisas, como atirar em um certo número de alvos, responder questões de multipla escolha ou simplesmente sobreviver até que o tempo passe. O jogador tem quatro vidas e o jogo termina caso elas se esgotem.

O modo principal do jogo leva o jogador através de várias fases, cada uma hospedada por Wario ou seus companheiros de empresa. Cada personagem caracteriza um nível de dificuldade dos microgames. Além disso, os níveis também são baseados em diversas categorias, como esportes, natureza, quebra-cabeça ou baseados em jogos da própria Nintendo. 

Ao passar dos microgames, o nível aumenta e também a velocidade deles e depois de um certo número de microgames vencidos, o jogador irá enfrentar um boss, que diferentemente dos outros jogos, não tem limite de tempo. Depois de vencer o boss, o jogador limpa um nível e está habilitado para prosseguir com o jogo. É possível jogar novamente os níveis vencidos, mas com a dificuldade aumentada. Assim o jogador pode bater seus próprios recordes e conquistar mais vidas, para facilitar nos próximos níveis.

O jogador também pode liberar níveis extras, mas isso requer certas condições. Dependendo do nível liberado, da pontuação feita ou da quantidade de níveis batidos em uma categoria específica. Os microgames liberados variam e entre eles estão diversos que podem ser jogados em duas pessoas, utilizando o mesmo portátil e o famosíssimo Pyoro.

Wario obsceno, Nintendo obscena


  • WarioWare foi um sucesso comercial e por isso, Satoru Iwata solicitou um remake do original para o GameCube. Ele queria que o game fosse finalizado o mais rápido possível;
  • WarioWare, Inc: Mega Party Game$ foi desenvolvido rapidamente e tinha o foco no multiplayer;
  • O personagem Pyoro, que tem um microgame, teve seu nome e design feitos em paródia a Kyorochan;
  • Kyorochan é o mascote da marca Japonesa de chocolate Choco-Ball;
  • De acordo com o designer e programador do jogo, Goro Abe, cerca de 300 ideias foram lançadas;
  • Apenas 100 ideias foram usadas. O restante foi descartado por ser considerado muito estranho ou obsceno;
  • Os microgames do personagem 9-Volt apresentam brinquedos clássicos da Nintendo dos anos 60 e 70;
  • Os brinquedos incluem o Ultrahand, Chiritorie e outros que foram feitos antes da Nintendo se tornar uma companhia de video-game;
  • No modo dual player, o segundo jogador utiliza os botões R e L para jogar junto.


A casa de Wario depois de se tornar uma empresa de games


Vamos nos divertir


A premissa de WarioWare aparenta um jogo engraçado e fanfarrão, sem muito compromisso de ser algo de qualidade. Mas o jogo surpreende pela tanto pelo seu desempenho excelente no Game Boy Advance, quanto pela diversão quase infinita que ele proporciona. Não é supresa dizer que o jogo foi premiado em festivais e em premiações da crítica especializada. A média de nota ficou em 9 e as vendas foram excelentes para um jogo despretensioso. 

Ao inserir Wario num mundo fictício como protagonista, os desenvolvedores não criaram apenas mais um jogo com um personagem aleatório. Eles lançaram o personagem para um patamar que talvez ele não fosse chegar e hoje não tem como pensar em Mario sem o seu oposto.

Mega Microgame$ tem uma simplicidade surpreendente e a excelência do jogo faz jus ao que a Nintendo representa. Os gráficos são bonitos, mas nada de exorbitante para o GBA e o melhor é que isso não faz diferença. WarioWare é um jogo casual que diverte o jogador em todos os momentos. Claro que a dificuldade aumentada em certas fases deixa o jogador com aquela raiva clássica, mas isso também só aumenta a vontade de jogar e bater o próprio recorde. E o melhor de tudo, para quem não tem o Game Boy Advance, a versão existe no Virtual Console. Não percam esse jogo!
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