A algumas semanas atrás, tivemos um caso lamentável por parte da Nintendo: a demissão de Chris Pranger, funcionário que teria dado algumas informações tidas como confidenciais em um podcast, como por exemplo o receio enorme da Big N quanto ao lançamento de Xenoblade Chronicles nos EUA anos atrás, a presença de consoles de outras empresas para estudos de caso, entre outras informações.

Por um lado, é preciso ver o lado da empresa e sua política de trabalho. Afinal, mesmo grandes empresas de entretenimento possuem suas diretrizes nas quais os funcionários estão cientes no momento em que assinam seus contratos. Por outro, vivemos numa época cuja transparência das empresas não é só importante como necessária para garantir uma imagem mais positiva entre seus fãs. E convenhamos, a Nintendo, embora admirável em sua tradicionalidade quanto a determinadas posturas atuais no mercado de games, ainda é retrógrada em vários outros.

Mas vamos entender um pouco melhor disso no Papo de Gamer hoje.


Minha Casa, Minhas Regras

Vamos encarar um fato da vida com uma certa frieza: mesmo que estejamos no emprego dos nossos sonhos, aquela realização da pergunta "o que você quer ser quando crescer?", nenhum segmento do mercado é perfeito. Possui suas dificuldades, suas falhas, e elas podem sim frustrá-lo. Muito, dependendo do quão idealista você for.
Um exemplo de que nem os grandes
nomes da indústria estão livres de frustrações

Ter consciência disto é importante no momento em que decide trabalhar para uma empresa na qual admira, ou deseja entrar no segmento como um todo. E aqui entra não apenas a Nintendo, mas qualquer outra empresa de games. Precisa ciente de quem nem toda indústria tem suas maravilhas, sobretudo as grandes. Só olhar o caso da Konami recentemente, que só tem piorado cada vez mais...

O ponto em que quero chegar é que mesmo a Nintendo, com toda "aura" que tem cultivado nos últimos anos, possui regras nas quais nem todos nós concordamos, mas que poderiam ser acatadas no momento em que assinaríamos o contrato de admissão para realizar um sonho tão almejado. E talvez Chris Pranger tivesse essa noção. Ou não.


O Mistério é importante, mas a Comunicação Também

Certo, vimos o ponto de vista das empresas, que elas tem sua postura ora rígida ou não, e que nem tudo é o mar de rosas que imaginamos, o que é uma retórica já um tanto batida. Mas isso significa que devemos ficar de braços cruzados e seguir o fluxo?

É aí que entramos no ponto em que o papel da internet e dos usuários, ou pelo menos a parte mais sensata deles, é importante. Assim como em outras mídias de entretenimento, a demanda gerada pelos fãs são decisivas nas tomada de ações por parte da empresa. Mas não pelo argumento de que "o cliente tem sempre razão", mas de se chegar a um ponto em que ambas as partes saiam ganhando - os jogadores tem a experiência que desejam, e mais até, e a empresa em lucros e uma boa imagem.

30 anos se passaram, e ainda temos casos de pérolas dos games que poderiam não fazer sucesso no Japão...

E nisso, por mais que a Nintendo tenha mudado aos poucos nos últimos anos, ainda está bem aquém do que poderia ser. O finado Satoru Iwata mostrou um pouco de como a Big N pode agir, e mesmo a concorrência dá estes pequenos sinais. E sim, estou falando do Phil Spencer.


Mudanças de Hábito

Não é preciso uma grande revolução em toda a empresa. Honestamente, não gostaria de ver a Big N "da mesma forma" que outras empresas de games quanto a pensamentos de hardware e coisas do tipo. Nisto, ela se preocupa em seguir seu próprio caminho e apresentar o que sempre soube fazer de melhor. Mas ainda falta trazer mais empatia para sua imagem, algo que atitudes como a tal demissão pública de Chris, e a falta de maiores informações sobre seu próprio futuro, não ajuda.

O que acredito, como admirador dos trabalhos da Nintendo, é mostrar de verdade que está procurando oferecer melhores experiências a seus fãs, e não apenas dar qualquer coisa para engolirem. Seguindo por este caminho, torço para que os adiamentos de Zelda U e Star Fox Zero tenham sido uma boa decisão.

Mas no fim de tudo, são negócios. E seu melhor papel, como consumidor, para mostrar seu desafeto, é simplesmente não comprar. Quando dói no bolso, não há quem não queira mudar as iniciativas...
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