O Halloween já passou, mas a nossa Máquina do Tempo não poderia ficar de fora desta data horripilante. Só que vamos fazer algo diferente e ao invés de relembrar um jogo de terror, teremos algo ainda mais assustador. Saindo direto das profundezas do Nintendo 64 e aterrorizando a Nintendo, os desenvolvedores e principalmente, os jogadores. Confira Superman 64 na Máquina do Terror:

A bruxa está solta


O jogo Superman: The New Adventures foi lançado em 1999, dois anos depois da Titus Software fazer seu anúncio durante a E3. A empresa francesa já trabalhava no ramo dos games há decadas, desenvolvendo principalmente para os computadores mais antigos. Mas ela também se lançou no ramo dos consoles e lançou games bem bons, como Automobili Lamborghini e Virtual Chess 64.

A dublagem do jogo foi feita através da técnica chamada de “sound bite”. Ela consiste no corte de trechos de audios e a inserção feita dentro do jogo. Então podemos ouvir as vozes de Tim Daly, como Superman, Clancy Brown como Lex Luthor e Dana Delany como Lois Lane. Todos estão presentes em Superman: A Série Animada, que ficou bastante famosa nos anos 90. Também vale lembrar que Clancy Brown interpretou The Kurgan no filme Highlander. 

Sabemos que a empresa tinha experiência no mercado e já havia feito jogos de qualidade. O cast de dubladores, mesmo que tenham sido utilizados apenas alguns recortes das falas principais, era de grande qualidade e tinha experiência com os heróis. O produtor do jogo e co-criador da Titus Software, Eric Caen, afirmou que o jogo seria o primeiro game baseado em super heróis em que os jogadores agiriam como verdadeiros super heróis. Além disso, eles divulgaram diversas imagens com versões impressionantes de Metropolis, diversos vilões, um estilo sandbox (limitado a cidade) e voar livremente. 

Mas então, o que deu errado em Superman 64? O game foi considerado um dos piores da Nintendo e é um forte concorrente a ser pior da história dos consoles. As explicações vieram em 2011, quando Caen afirmou que muito do resultado final acabou passando pelas mãos dos licenciadores da marca, a DC Comics e a Warner Bros.

De acordo com Eric, as duas licenciadoras meteram o bedelho mesmo no design do jogo e foram as responsáveis pela qualidade final do jogo. Ele afirmou que aquele não era 10% do jogo que eles planejaram e coisas como poderes limitados do Superman e o enredo se passar dentro de um mundo virtual pois “Superman não pode bater em pessoas de verdade”. A produção do jogo se atrasou seis meses, pois os desenvolvedores tiveram que fazer repetidas alterações por ordem contratual da DC Comics e Warner Bros.

Que pesadelo terrível


O enredo traz Lex Luthor, o rival mais clássico do Superman, raptando três amigos do super herói. O vilão cria uma máquina que desenvolve uma versão virtual de Metropolis e aprisiona lá dentro Lois Lane, Jimmy Olsen e o professor Emil Hamilton.

Sem conseguir salvá-los, o homem que veste a cueca por cima da calça atravessa o portal e tenta chegar até seus amigos. Mas num primeiro momento, o vilão Luthor afirma que ele precisará passar pelos seus labirintos e desafios para conseguir resgatar os amigos.

A primeira coisa que Superman precisa fazer é atravessar aneis em um tempo muito curto (os terríveis anéis). Outras tarefas também estão presentes no jogo, como salvar pedestres de serem atropelados. Depois disso, o herói parte em busca de seus amigos.

Ele enfrenta diversos inimigos através de complexos edifícios. Algumas missões durante essa trajetória incluem desativar bombas, resolver quebra-cabeças e detruir os inimigos. Superman também enfrenta diversos vilões que estamos acostumados, como Parasita, Darkseid, Brainiac, Mala e Metallo. No final do game, o super herói consegue resgatar seus amigos da Metropolis virtual, mas Lex Luthor escapa, deixando uma brecha para uma continuação.

Tem um jogo no seu bug


Superman: The New Adventures se passa em uma Metropolis virtual, desenvolvida no mundo 3D do Nintendo 64. É para ser uma recriação da série animada, e por isso podemos perceber diversos elementos e designs semelhantes. Mas a recriação deixou a desejar e para resolver o problema de carregamento do cenário, conhecido como distance fog, os desenvolvedores apenas o nomearam como Kryptonite fog.


Controlando Superman, o jogador tem que passar por diversos desafios criados por Lex Luthor. Os poderes básicos do herói estão liberados o tempo todo, como voar, velocidade e super força. Os outros poderes devem ser coletados e possuem uma barra de limitação de uso. Eles são visão de calor, o sobro congelante, o raio-x e também a super-velocidade. A barra de energia do jogador cairá se ele for atingido por inimigos, explosões ou chegar próximo de Kryptonita. Caso ela chegue a zero, o jogo chegará ao game over com os dizeres “Lex Wins”. Ele também acontece se as missões não forem completadas ou um civil seja atacado e caso isso acontece, a missão será reiniciada.

Ao todo são catorze níveis que podem ser dividos entre “percurso” e “labirintos”. Os percursos ficam na parte de fora de Metrópolis e alternam entre voar através dos anéis flutuantes, preteger civis ou derrotar certas quantidades de inimigos antes que o tempo acabe. Os níveis de labirinto levam até os amigos que estão presos, sendo que Superman deve escoltá-los até um local seguro e enfrentar um dos super vilões. Esses níveis são mais baseados em resolução de quebra-cabeças e em estilo geral de ação/aventura.

Os controles são simplesmente terríveis e a alavanca do Nintendo 64, tão bem utilizada em diversos jogos 3D, simplesmente não ajudou. O conceito de sandbox não ficou bem encaixado, já que os anéis travam toda a jogabilidade do game. Os poderes limitados do Superman resolvem a facilidade que ele teria em vencer os inimigos, mas acaba deixando o jogo chato e monótono e a supervelocidade é algo que só atrapalha, pois os controles são péssimos. Além disso, a quantidade gigante de bugs e glitches é impressionante, deixando o game com cara de protótipo.

Existe um modo multiplayer também, mas que foge totalmente da proposta do jogo. Dois jogadores montão em motos voadoras e se enfrentam em um duelo até a morte. O problema é que os controles não são intuitivos e nem com boa sensibilidade para desviar ou fazer qualquer tipo de manobra, o que acaba restringindo o modo a apenas atirar, atirar e atirar.

Se livre dos anéis de uma vez


  • Se você colocar o jogo no modo easy, os anéis não existirão, mas só é possível jogar até a fase 12;
  • E para chegar ao nível final é necessário completar o game no modo hard;
  • Uma versão para game boy foi planejada, mas a Titus nunca chegou a desenvolver;
  • É possível diminuir o tamanho da tela em que o jogo é exibido. Isso faz com que ele rode mais rápido, mas fica praticamente impossível de enxergar. É uma tática clássica dos jogos antigos de computador para rodar em máquinas mais fracas;
  • O nome do jogo é oficialmente Superman: The New Adventures, mas o apelido dos fãs pegou mais, por isso o conhecemos como Superman 64;
  • Eles tiveram a intenção de colocar o personagem Bizarro, e até desenvolveram um modelo e alguns sound bites dele, mas nunca usaram;
  • Se você deixar rolar o vídeo demo do jogo, vai perceber que nem nele o Superman consegue fazer o percurso dos anéis corretamente;
  • O game entrou para o Guiness de 2009, como o jogo de video-game com a nota mais baixa.


Vídeo com uma lista grande de glitches. O detalhe é que são só da fase seis.

Pior jogo de todos os tempos?


Não tem como negar o quão ruim é Superman 64. O mais incrível é que ele vendeu bem, apesar de receber como média a nota 2. Talvez as vendas tenham acontecido pela promessa de um jogo sandbox do Superman e da qualidade que foi apresentada na E3.

Mas o que vimos durante o jogo é algo que beira ao amadorismo. Talvez a Titus nem quisesse mais lançar o game e o deixou do jeito que estava, por causa das inúmeras intromissões das licenciadoras da marca do super herói. Mas acho que isso não deve ser usado como desculpa para que uma empresa entregue um jogo tão ruim. O conceito inicial tinha tudo para dar certo e mesmo com as mudanças de enredo, era possível fazer algo no mínimo decente e é claro, sem os benditos anéis.

Os gráficos são muito fracos e feios, algo que não poderia surgir em 1999 no Nintendo 64, console com maior potência da geração. Entretanto, os controles nunca foram o forte desse video-game, mas a dificuldade de controlar o personagem é gritante. Além disso, a trilha sonora não tem nenhuma semelhança com o personagem principal ou qualquer coisa de sua história. Preso em missões cansativas e jogabilidade travada, o jogador só vai persistir na fita se tiver muita força de vontade ou se for muito teimoso.


Não sei dizer se Superman 64 é o pior jogo da história ou do console. O conceito inical dele foi uma grande ideia e tinha tudo para ser um sucesso. Diversas decisões erradas o tornaram um jogo inesquecível pelo aspecto ruim. Só encare esse jogo se você tem estômago forte e é chegado num terror.
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