Imagine que você está nos anos 90. O Super Nintendo em alta no auge dos seus 16 bits. De repente aparece alguém e fala “bah, legal esse teu console aí, mas quem sabe se a gente fizesse um jogo em 3D?”. A ideia iria parecer surreal, ou impossível, mas para a Nintendo, quebrar as improbabilidades é só questão de tempo. Hoje a nossa Máquina do Tempo vai viajar pelos confins das galáxias e aterrissar em Venom e derrotar Andross.

Três dimensões na veia


A empresa começou a desenvolver o jogo em 1995 com o título original de Super Mario Kart R e a intenção seria de que ele fosse lançado como o jogo de lançamento do Nintendo 64. Esse plano foi deixado de lado pois o desenvolvimento de Super Mario 64 recebeu um apoio muito maior. No final desse ano, ele apareceu em uma exibição no Japão, e de acordo com Miyamoto, o jogo já estava 95% completo.

Todas as pistas do jogo foram projetadas em renderização full 3D, mas o jogo usa o sistema billboarding para apresentar os personagens e os itens. Esse sistema é mais fácil de se trabalhar em um mundo 3D com potência de hardware gráfico reduzido, como era o N64. 

De acordo com o diretor do jogo, Hideki Konno, renderizar todos os personagens em modelos 3D não seria algo impossível, mas não permitiria que todos eles aparecessem na mesma tela. Ele decidiu então pré-renderizar suas imagens, mostrando eles em diversos angulos, para simular a aparência 3D. A Rare providenciou esse trabalho para o personagem Donkey Kong.

A trilha sonora foi composta por Kenta Nagata, sendo o seu primeiro trabalho com um game da Nintendo. Depois ele viria a trabalhar em outros jogos, como Mario Kart 7 e New Super Mario Bros. Wii. As composições foram s em diversos formatos, incluindo CD e fita cassete e quatro albums foram lançados com a coletânea de músicas. 

Balões da discórdia


Mario Kart 64 é um jogo de corrida com oito personagens jogáveis, todos do mundo de Super Mario. Existem diversas pistas que também possuem temáticas desse universo e os corredores devem se enfrentar usando karts de corrida. O grande diferencial deste game é a utilização de itens para tentar atrasar os adversários e ganhar a corrida a qualquer custo.

Esses itens estão dentro de blocos e aparecem de forma randômica quando o kart atravessa eles. As armas variam entre ataque ou velocidade. Os cascos de tartaruga, por exemplo, acertam o inimigo e fazem com que ele capote e se atrase, enquanto cogumelos são usados para acelerar o kart com um turbo.

Existem quatro modos diferentes para serem jogados em Mario Kart 64. São eles: Grand Prix, Time Trial, Versus e Battle. O primeiro modo suporta single-player e multiplayer enquanto os outros modos só suportam uma modalidade de jogo. O modo Grand Prix é uma competição feita em quatro pistas com três voltas cada. Em time trial, o jogador corre em uma pista única por três voltas e com apenas três cogumelos disponíveis. Os tempos são salvos e o jogador enfrenta um “fantasma” que repete as ações do melhor tempo. No versus, dois a quatro jogadores humanos se enfrentam em pistas únicas. Já o Battle, é um enfrentamento entre competidores. Cada kart possui três balões que são estourados quando o jogador sofre um ataque ou cai de um precipício. 

Os controles são simples, com o analógico bem utilizado no Nintendo 64. Aceleração e freio são feitos em dois botões fáceis de alcançar e o uso dos itens pelo gatilho torna o game mais dinâmico. O sistema de turbo através dos drifts é algo que não funciona com tanta fluidez como podemos ver na evolução dos jogos atuais.

Você fuma um Marioro?


  • A invenção do casco azul foi uma estratégia para lá de criativa e que solucionou problemas. Devido a limitações de hardware, Mario Kart 64 não conseguia exibir muitos personagens em movimento na tela ao mesmo tempo. A alternativa foi a criação do casco azul, capaz de acertar múltiplos oponentes e descarregar a concentração de competidores no cenário. Isso conseguia aliviar o hardware do Nintendo 64 e permitia a execução fluída do jogo;
  • Na tela de resultados de Mario Kart 64, se os jogadores esperarem a música ser repetida exatamente 64 vezes, a versão secreta da canção será executada. No total, a espera dura quase 50 minutos, mas recompensa os usuários mais curiosos;
  • Durante o desenvolvimento de Mario Kart 64, o bruxo Kamek aparecia como um dos personagens jogáveis, e era mostrado até em imagens de divulgação da época. Mas Donkey Kong tomou o lugar do vilão, e se firmou como um dos principais corredores da franquia;
  • Inspiradas por circuitos reais de Fórmula 1 e Fórmula Indy, as pistas de Mario Kart também contam com placas de publicidade. Uma observação cuidadosa revela que os patrocinadores, na verdade, são versões genéricas de grande marcas, como Goodyear, Mobil1 Oil e Marlboro;
  • Em 2007, dez anos depois de seu lançamento original, Mario Kart 64 foi lançado para o Virtual Console do Nintendo Wii, porém, com uma certa mudança: o efeito do relâmpago provocado pelo item Thunderbolt foi mudado para uma luz menos intensa. Isso teve o intuito de evitar ataques epiléticos nos jogadores mais sensíveis;
  • Mario Kart 64 marca a primeira e única vez em que um jogo da série usa o Fake Item Box (a caixa de itens falsa) como um objeto defensivo;
  • Adicionalmente, o jogo em 64-bits também foi o único a permitir aos corredores arremessar as Fake Item Boxes para frente;
  • Mario Kart 64 foi o primeiro a apresentar uma versão remasterizada de Donkey Kong depois de Donkey Kong Country. No game de Snes, o Dk é pai do Donkey Kong atual;
  • Ao terminra qualquer copa em 4º lugar, você verá uma animação um pouco diferente, com um final engraçado;
  • Se você vencer todas as copas de 50cc, 100cc e 150cc uma nova tela de título aparecerá.
Vídeo com um compilado de comerciais para a TV

Corra loucamente


Mario Kart é uma daquelas franquias memoráveis que se aguarda todos os consoles por um novo jogo. Mario Kart 64 abriu as portas para todos os jogos subsquentes que viriam a se tornar um sucesso de vendas e crítica. O jogo caiu no gosto dos fãs não só pelo seu estilo de corrida, mas pela diversão que ele promove, principalmente no multiplayer local e depois online.

A corrida no Nintendo 64 flui muito bem, com alguns desafios bem grandes em pistas incríveis. Os gráficos inovam pela época e pelo o que o console podia fazer. Mas é muito interessante poder jogar com personagens do mundo de Mario e ver diversas referências nas pistas.

As pistas são envolventes e a competição criada por elas é muito boa. Jogar o multiplayer é certeza de briga e diversão. Competir para ver quem é o melhor é sempre interessante e o modo batalha ajuda a mudar um pouco o estilo clássico das corridas. Mario Kart 64 é um clássico essencial para conhecer as pistas que ganharam remakes e também para apreciar o Nintendo 64.
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