A última The Game Awards passou com algumas surpresas em suas premiações, mas infelizmente por muitas gafes e situações desconfortáveis - como falaremos ainda em breve. Embora a Nintendo não tenha anunciado nada no evento, a empresa fez bonito tanto com sua tocante homenagem a Satoru Iwata, como nos prêmios recebidos por Super Mario Maker (Melhor Jogo para Família), e Splatoon, desbancando nomes de peso nos shooters e nos multiplayers como Halo, Call of Duty, Destiny e até mesmo o badalado Rocket League.

E o que fez da curiosa empreitada da Nintendo ser tão bem sucedida, principalmente com tantos títulos e uma certa tradicionalidade no gênero? É o que veremos aqui, mas já adianto uma coisa essencial: no discurso de Reggie Fils-Aime, ao receber o prêmio de melhor multiplayer, o chefão da Nitnendo of America disse que Splatoon foi um game feito com amor. Observando tudo o que ele tem trazido até agora, é bem provável que isso seja verdadeiro.

Uma Jogada Honesta com os Fãs

Desde o seu anúncio tímido na E3 2014, Splatoon chamou atenção pela sua ideia inusitada. Um shooter cujo objetivo não é matar os adversários era no mínimo "absurdo", já que todos os games até então, mesmo com tantos modos de jogo e ideias mirabolantes, o foco nunca mudou.


Porém, a Nintendo não apenas deixou sua marca registrada, como meses antes do anúncio foi bem clara em todas as informações do game, seus modos, e como o conteúdo seria disponibilizado. Nada de Season Pass ou microtransações: o conteúdo travado seria liberado aos poucos, incentivando a curva de aprendizagem, e sempre mantendo o ar de novidade entre os jogadores.

Enquanto escrevo este artigo, mais uma semana de conteúdo já está disponível. A honestidade com que a Nintendo tratou seu conteúdo e a relação com os fãs - inclusive nas adições e balanceamentos sugeridos pela própria comunidade -, tem sido mais do que suficientes para garantir sua popularidade.

Novidades sempre são bem vindas =)

E pensar que a própria Big N ficou reticente com o sucesso de seu produto...

Fazendo de Ideias Malucas Grandes Obras

Fiquem tranquilos, não
usarei aquela infame propaganda.

Splatoon é a prova de que a Nintendo tem criatividade de sobra para investir e inovar nos gêneros já estabelecidos no mercado. E honestamente, não via algo parecido nela desde Pikmin em 2004, que fez sua parte como um RTS diferenciado. 

Os novos ares que ele traz para o gênero também prova algo que continua em falta no grande mercado de games na geração atual. Não falo apenas de novas IPs, mas a confiança em trazer materiais mais ousados, explorar iniciativas que pareçam absurdas, e oferecer propostas honestas ao seu público.

Nós já sabemos de todos os riscos e dificuldades que um game totalmente inédito pode trazer em termos financeiros, incluindo a aceitação cada vez mais difícil do público. Porém, com o direcionamento correto, algo que o próprio Miyamoto realizou com a equipe responsável, não é difícil conquistar esses patamares de popularidade.

E agora, além de shooter, podemos esperar uma outra expansão da Big N.

Futuro eSport?


Ainda é muito incerto. Embora haja suporte da Nintendo em relação aos recursos dentro do jogo, ainda não temos campeonatos ou uma cena bem estruturada mundialmente, o que é compreensível não apenas pela base instalada de jogadores, como pelo pouco tempo de mercado do game.

Além disso, estamos em um mercado novo para uma empresa que teve nos jogos para família o seu principal foco, como vimos no Papo de Gamer anterior. Exceto por alguns eventos no Japão, o caminho a trilhar é longo...

Vejamos como ele se sairá...

... Mas não tão distante. Estamos presenciando uma possível mudança nas políticas de mercado da Nintendo com o NX, quem sabe aquele incentivo que os pro players tanto desejam na Big N não surja? Criatividade para trazer novas ideias não falta. O que falta é a mesma coragem para dar estes novos saltos.
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