Foi exatamente no dia 9 de janeiro de 2015. A Big N anunciou surpreendentemente o encerramento de sua ligação com a Gaming do Brasil e, por consequência, o fim das vendas de consoles e jogos físicos dentro do país. Na época, a empresa culpou as dificuldades de se trabalhar no país, como altos impostos de importação.

A Nintendo saiu das terras tupiniquins afirmando que ama os fãs, mas que o modelo de distribuição antigo era insustentável. Ela também disse que está constantemente observando e analisando o mercado brasileiro e uma possível volta, através da Juegos de Video Latinoamérica, que faz a distribuição da empresa japonesa na América Latina.

Mas, passado um ano disso tudo, algo realmente mudou? A verdade é que a empresa nunca esteve “realmente” dentro do Brasil. Sem uma produção interna de games ou consoles, a empresa sempre trabalhou através de distribuidores terceirizados. O histórico da Nintendo por aqui nos mostra que essa decisão não é tão surpreendente assim quanto foi na época.

Tudo começou quando a Gradiente, que fazia os Phantom System (clone do NES) se uniu com a Brinquedos Estrela para fundar uma outra empresa: a Playtronic. As operações começaram em 1993, com a produção sendo feita pela Gradiente e o marketing e a distribuição ficaram por conta da Estrela. Isso durou até 1997, quando a Estrela saiu da parceria e a Gradiente abraçou tudo, até 2002. Um pouco depois do lançamento do GameCube, a Big N ficou novamente sem um distribuidor, já que com a alta do dólar, a Gradiente teve que encerrar a parceria com a empresa japonesa.

Só em 2006 que a empresa panamenha Latamel firmou um acordo com a Big N e começou novamente a distribuir dentro do Brasil. Ela trabalhou na distribuição do Nintendo DS Lite como estreia e esteve nos anos dourados do Wii. Mas como só funcionava no ramo da distribuição e deixava o serviço de garantia e assistência para terceiros, o custo do console era bastante alto. Em 2011 a Nintendo trocou novamente de distribuidora, dessa vez para a Gaming do Brasil, parceria que durou quatro anos e esteve a frente do Nintendo 3DS e do Nintendo Wii U.

Vendo esse histórico e analisando mais a fundo, percebemos que o tratamento da empresa para com o Brasil sempre foi diferenciado. A atenção recebida aqui nunca foi igual aos outros países e a concorrência tem se sobressaído em relação a Nintendo, tanto no âmbito nacional quanto no Mundial. Depois de vários anos com uma distribuição muito fraca, sem nenhuma localização de jogos ou sequer publicidade, a Big N se retirou do Brasil. Mesmo sabendo que o país ocupa a 11º posição no mundo em receita de games, ela decidiu que não valia a pena investir.

Muitos fatores estão dentro dessa decisão, como burocracia, altos impostos para importação e competição desigual do mercado cinza, por exemplo. A lógica da importação era algo lucrativo antigamente, tanto para ela quanto para as outras empresas, mas a decisão da Nintendo de não criar uma logística de fabricação interna acabou prejudicando os lucros num mercado tão abrangente e com potencial grande para a compra de games. É claro que não é tão simples se colocar no mercado interno, existe muitos problemas que podem influenciar uma negativa nessa ação, mas dadas as condições da Nintendo e a prova que o brasileiro compra videogame é algo a se considerar.

A esperança agora fica por conta da própria cultura dentro da Nintendo. Com o NX chegando, alguns jogos novos para o Wii U e a entrada no mercado mobile podem dar retorno para a empresa, gerar lucro, algo extremamente necessário para que ela volte aos bons tempos e assim possa investir novamente no Brasil, algo que até agora não temos esperanças.


Esse post foi uma dica do nosso colega Dilan Kenner da página Nintendista.
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