A Link Between Worlds, uma continuação com jeito de remake

O sabor especial da nostalgia

O Super Nintendo (SNES) é recheado de clássicos. Porém existe um em especial que marcou época por seu estilo único de jogo e por revolucionar o que havia sido visto na indústria de videogames até então. Um dos jogos mais queridos até hoje de uma das maiores franquias da história dos jogos eletrônicos surgiu justamente nesta geração: A Link to the Past. Com uma jogabilidade inovadora para a época e um enredo intrigante em uma época onde os jogos não costumavam se preocupar muito com um roteiro elaborado (com exceções, obviamente, principalmente feitas por jogos de RPG), A Link to the Past marcou a história de uma forma tão positiva que acabou sendo revisitado 20 anos depois em uma sequência tão nostálgica que parece até um remake.
The Legend of Zelda: A Link to the Past foi o terceiro jogo da popular franquia Zelda, e um dos que atingiram maior nível de popularidade. Lançado em 1991, o jogo inovou em relação ao que foi visto em seus dois antecessores e criou um padrão que perdura até hoje na série, marcado por dungeons e explorações onde os puzzles se tornam mais importantes do que a ação. A aventura segue a história do herói Link em sua busca através de Hyrule e do Dark World para resgatar descendentes dos sábios e impedir que a tenebrosa criatura conhecida como Ganon domine o mundo. Aclamado pela crítica, o jogo vendeu cerca de 4 milhões de unidades e se tornou um clássico, reaparecendo em ports em consoles de outras gerações como o Gameboy Advance, o Wii e o Wii U. Porém, apesar de ter sido portado diversas vezes, a Nintendo nunca havia o revisitado em uma continuação ou remake, isto é, até o final de 2013 quando The Legend of Zelda: A Link Between Worlds foi lançado, sendo uma sequência direta da obra anterior, lançada mais de 20 anos depois e com um sabor especial de nostalgia.
Do mais absoluto nada a Nintendo começou com rumores em 2012 de um possível remake do clássico de 1991. O próprio Shigeru Miyamoto em pessoa, criador de Mario e Zelda, anunciou que estava em dúvida entre criar um remake de A Link to the Past ou um remake de The Legend of Zelda: Majora’s Mask, outro aclamado título da série. Eventualmente nos anos seguintes ambos os projetos sairiam do mundo das ideias e se tornariam realidade, porém a ideia do remake do A Link to the Past acabou evoluindo e se tornando uma continuação direta, por ideia do produtor da serie Eiji Aonuma, o que acabou surpreendendo o público. Aquela criança que tinha crescido jogando Zelda no Super Nintendo poderia agora, mais de 20 anos depois, revisitar um mundo marcado pela nostalgia em uma história completamente nova, mas bastante familiar.

As diferenças entre o original e a sequência são notáveis, mas a nostalgia de rever tudo é inegável.

E justiça seja feita, A Link Between Worlds foi uma obra prima. Se antes seu antecessor havia feito história, esse novo jogo viria para reconquistar o coração dos jogadores antigos que cresceram explorando aquela mesma Hyrule. Com uma trilha sonora incrível, gráficos bastante interessantes e belos (contando com, por exemplo, uma intrigante e inovadora visão diagonal sobre a cabeça) e uma história única (que atire a primeira pedra quem não se surpreendeu com o final), o jogo vendeu mais de 2 milhões de unidades e se tornou um sucesso de crítica, mantendo o excelente padrão dos Zeldas anteriores. Vale destacar inclusive que no Japão o jogo recebeu como título algo como “A Triforce dos deuses 2”, sendo A Link to the Past conhecido como “A Triforce dos deuses”, mantendo ainda mais claro a ideia de sequência direta. Os eventos narrados em A Link Between worlds, inclusive, se desenrolam seis gerações após os acontecimentos do jogo anterior.
É importante destacar também a importância que a presença enorme de liberdade deu um status único para A Link Between Worlds. Pela primeira vez na história da franquia as dungeons poderiam ser completadas em qualquer ordem, na forma como o jogador preferisse, com um mundo aberto bastante conciso. E isso se deve a uma novidade inédita: o fato de que agora os jogadores poderiam pela primeira vez receber os itens do jogo em qualquer ordem, em qualquer momento do jogo, ao contrário do que acontecia antes onde os itens apareciam nas próprias dungeons durante algum momento especifico. Essa enorme liberdade proporcionada marcou a série e quando o jogo foi lançado, todos falavam do primeiro Zelda em que se podia enfrentar as dungeons do jogo na ordem em que se quisesse. A nostalgia e a liberdade fizeram com que esse magnus opus fosse por muitos considerado como o melhor ou ao menos um dos melhores jogos da história da série.

Imagem mostrando o paralelo dos dois mundos do jogo.

A Link Between worlds, por sua vez, acabou por influenciar outro jogo, inclusive o mais novo Zelda já lançado: The Legend of Zelda: Triforce Heroes. Anunciado com surpresa na E3 de 2015, o jogo foi lançado ao público no final do mesmo ano e, embora não tenha tido nem parte do sucesso que ALBW obteve, foi marcado por ser um jogo inovador com uma proposta semelhante embora diferente ao que foi visto no passado em Four Swords e Four Swords Adventure. Embora muitas pessoas tenham visto a criação deste jogo como uma espécie de “espera” para o vindouro Zelda de Wii U e a critica não tenha exatamente o adorado, sua mecânica de jogar online permitiu que os jogadores experienciassem algo totalmente diferente do que estavam acostumados, podendo jogar online pela primeira vez em um Zelda.
Mas o que exatamente Triforce Heroes tem de relação com A Link Between Worlds? Muita coisa. Para começar, o protagonista (ou um dos, mas se o protagonista com que se começa jogando) foi confirmado pela Nintendo como sendo exatamente o mesmo personagem visto em ALBW. Não se sabe exatamente o que aconteceu entre um jogo ou outro e o que levou o Link daquela timeline a aparecer no reino aficionado por roupas estilosas de Hytopia (uma referência a utopia?), mas o fato de ser o mesmo personagem nos dois jogos já mostra a relação entre os dois. Como se não bastasse, o estilo gráfico de ambos e muitos dos inimigos vistos, são exatamente iguais, embora o gameplay divirja bastante visto que TFH valoriza o multiplayer em detrimento ao jogo majoritariamente solitário de ALBW.

Anunciado e lançado no mesmo ano, Triforce Heroes surpreendeu muita gente com seu gameplay inovador e por ser uma continuação de A Link Between Worlds.

A Link to the Past fez história. Marcou sua geração, sua época e conseguiu fazer aquilo que pouquíssimos jogos já conseguiram: transcender a barreira do tempo e se tornar um clássico. E ainda mais do que isso, conseguiu gerar dois sucessores que não só mantiveram sua qualidade técnica como a aprimoraram. A Link Between worlds e Triforce Heroes, os dois jogos originais mais recentes da franquia Zelda, pegaram o modelo de gameplay criado pelo antecessor e o aprimorou para os dias de hoje, de uma forma tão mestral que ambos tem tudo para se tornarem tão influentes quanto A Link to the Past é atualmente. Se isso vai de fato ocorrer, só o futuro dirá. Mas por enquanto uma coisa é certa, aquele menino que cresceu jogando seu amado Zelda no Super Nintendo, ainda no início da década de 90, tem agora, mais de 20 anos depois, a chance de revisitar a Hyrule que marcou a infância de muita gente. A Link Between Worlds pode até não ser o melhor jogo já lançado da série, mas com certeza é o que mais usa do fator nostalgia.
           



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