A nostalgia de um anime que nunca existiu, com pitadas de criatividade e um bom jogo cooperativo — que Orbitals encontrou sua própria identidade ousando em muitos formatos, é um fato. Existem jogos que precisam de alguns minutos para explicar sua proposta e Orbitals não é exatamente um deles. Basta olhar para seus personagens, cenários e animações para entender boa parte do que a Kepler Interactive quer entregar.
Mas reduzir Orbitals à sua estética seria injusto. Por trás de toda essa identidade visual inspirada em animações clássicas, existe uma aventura genuinamente divertida, construída para duas pessoas e que entende muito bem o que tornou jogos como It Takes Two tão especiais. Não basta apenas colocar dois personagens na tela: é preciso fazer com que os dois jogadores realmente dependam um do outro.
Essa é nossa análise de Orbitals, para o Nintendo Switch 2. Escrita com o apoio de chave fornecida pela Nuuvem.
História — Uma aventura espacial a dois
Orbitals acompanha Maki e Omura em uma situações “corriqueiras” de uma jornada espacial, colocando a dupla em uma narrativa que não tenta reinventar a ficção científica, mas sim normalizar cotidiano dela, como problemas que precisam de manutenção, reparos ou assistências.
Existe uma leveza constante na relação entre os protagonistas, com diálogos, humor e situações que ajudam a criar uma dupla genuinamente agradável de acompanhar. Essa dinâmica facilita bastante o convencimento de cooperatividade.
É uma história que funciona principalmente pelo carisma, pois sabem quando simplesmente deixar seus personagens respirarem e aproveitarem aquela colorida e deliciosamente exagerada aventura espacial.

Jogabilidade — Cooperação de verdade
É impossível falar de Orbitals sem pensar em It Takes Two. E isso é ótimo.
O jogo segue uma filosofia parecida ao constantemente apresentar novas situações, ferramentas e pequenas mecânicas para os jogadores. Há quebra-cabeças, exploração e momentos de ação, quase sempre construídos ao redor da necessidade de cooperação. Em muitos momentos, entender o que o outro jogador precisa fazer é tão importante quanto executar sua própria parte.
Orbitals também acerta por não complicar aquilo que não precisa ser complicado. Os controles são acessíveis, as ideias são apresentadas de maneira bastante natural e existe um ritmo gostoso de descoberta. Quando uma mecânica começa a parecer familiar, normalmente o jogo já está preparando alguma variação ou uma situação diferente para utilizá-la.
Talvez ele não tenha a mesma quantidade quase absurda de ideias de It Takes Two — um jogo que praticamente transforma cada fase em um gênero diferente —, mas existe aqui aquela mesma sensação de estar jogando algo pensado desde o primeiro segundo para duas pessoas. E, no fim das contas, isso é o que importa.

Gráficos — Um anime perdido no tempo
Se a jogabilidade é o coração de Orbitals, sua direção de arte é provavelmente todas as veias que circulam a experiência que ficará na memória.
O jogo abraça completamente a estética dos animes de ficção científica vintage. O design dos personagens, as expressões exageradas, as cores, as máquinas, os ambientes e até pequenos elementos de interface parecem cuidadosamente construídos para vender a ideia de que estamos controlando uma animação japonesa encontrada em alguma fita VHS esquecida dos anos 90.
Não há preocupação em impressionar com realismo ou simplesmente despejando detalhes na tela; ele impressiona pela consistência artística. Tudo pertence ao mesmo universo, e todo novo elemento segue respeitando isso.
Também merece bastante destaque o trabalho realizado na localização brasileira. Orbitals conta com dublagem e legendas em português brasileiro, ambas muito competentes, mas o cuidado vai além dos diálogos. Textos incorporados aos próprios cenários, incluindo placas, telas e visores, também aparecem localizados em português.
É um detalhe que poderia facilmente passar despercebido, mas que ajuda muito na imersão e demonstra um cuidado com o público brasileiro que merece ser reconhecido.

Trilha sonora — Nostalgia também se escuta
A trilha sonora talvez seja menos imediatamente chamativa do que os gráficos, mas desempenha um papel importante em completar essa identidade.
As músicas acompanham muito bem a aventura e reforçam constantemente aquela sensação de estar diante de um anime sci-fi vintage. Um daqueles casos onde a proposta sonora entende perfeitamente a obra que está acompanhando. E, em um jogo cuja atmosfera é uma parte tão importante da experiência, isso faz diferença.

Conclusão — Uma bela aventura para dividir
Orbitals poderia facilmente depender apenas de sua estética. Afinal, sua belíssima direção de arte inspirada em animes vintage já teria o suficiente para encher os olhos nos pôsteres e materiais de divulgação. Mas, felizmente, existe um ótimo jogo cooperativo por trás dela.
A aventura de Maki e Omura é divertida, acessível e constantemente encontra maneiras de fazer com que os dois jogadores participem da experiência. Some isso a uma direção artística excelente, uma atmosfera nostálgica e um trabalho de localização para português brasileiro que demonstra um cuidado raro até nos pequenos detalhes, e temos uma aventura que talvez não reinvente o gênero, mas soube exatamente como nichá-lo e torná-lo divertido.
No fim, Orbitals parece aquele anime que você poderia jurar ter assistido quando era criança — só que, desta vez, alguém entregou um controle para você e outro para um amigo.
História: 8.0
Jogabilidade: 8.5
Gráficos: 9.5
Trilha Sonora: 8.5
The Good: Direção de arte fantástica, cooperação divertida e criativa, ótima localização em PT-BR e muito carisma.
The Bad: Algumas ideias poderiam ser exploradas por mais tempo e a variedade de mecânicas não chega ao nível dos maiores representantes do gênero.
Nota geral: 8.5/10

