Análises

Análise: Pokémon Sword and Shield: Isle of Armor

Depois de tanto explorar a região de Galar para evoluir e desenvolver seus Pokémon preferidos em Pokémon Sword/Shield, a nova DLC chamada de Isle of Armor é marcada como a primeira expansão da franquia. Diferente do que foi feito no passado, ao invés de um terceiro jogo aparecer com mais conteúdo e outros Pokémon, a Game Freak apostou em explorar a mesma região, expandindo-a de maneira paga e agradando… se você não estiver com expectativas de um full-game.

Esta análise foi feita graças a uma chave da DLC fornecida pela própria Nintendo!

Entendendo a nova ilha

Para começar a nova aventura, não tem muito segredo: basta ter comprado o Expansion Pass e entrar no jogo. Você já é recebido com uma mensagem que diz que você recebeu o Armor Pass, e para usá-lo, terá de ir ao Wedgehurst Station. Para mim, acabou sendo uma espécie de “fôlego” para passar no Pokémon Center, e durante o caminho, revisitar alguns lugares que não visitava há um tempo para aí sim começar a minha aventura na Isle of Armor

A localidade central do mapa é o Dojo do Master Mustard, um senhor que treina diversos discípulos, entre eles o próprio Leon e também o seu rival dessa campanha, que no meu caso, na versão Shield, é Avery. Para os que jogarão no Sword, esperem outra rival, Klara.

O Dojo é o grande conector entre tudo que você precisa fazer e consultar e, mesmo com tantos discípulos, quem fica como personagem marcante é o próprio mestre, sua esposa Honey e Kubfu, Pokémon lendário que os acompanha.

Falando sobre o restante da ilha, o termo “expansão” nunca foi tão bem colocado, afinal, a ilha é literalmente um lugar a mais que complementa o mapa. Eles fizeram um ótimo uso do espaço utilizado, mas é possível resumir a ilha como sendo uma grande Wild Area, separada e conectada a partir de outras áreas temáticas e com bastante conteúdo para explorar, tudo repleto de itens e Pokémon. Falando neles, estamos falando de mais de 100 Pokémon retornando e alguns exclusivos, sendo que a Pokédex da ilha totaliza 210 monstrinhos, isso incluindo alguns que já vimos originalmente sem a adição de DLCs.

As “missões” que te esperam

Foi difícil escrever a palavra “missões” sem ter o remorso de voltar e incluir aspas. Por mais triste que isso possa soar, a Isle of Armor não traz grandes desafios ou responsabilidades diferentes como ginásios, mas sim uma porção de side-quests que envolvem te fazer explorar (mesmo que minimamente) o que a ilha tem a fornecer. Espere tarefas como “Siga aqueles Slowpokes” e “Colete cogumelos em tal região”. O espaço disponível para realizá-las é, na minha opinião, vasto e repleto de conteúdos para interagir, mas as missões em si não focam muito nessa premissa e a exploração fica por conta de quem é curioso ou simplesmente se perdeu.

Sobre a dificuldade das mesmas, se tirarmos da frente o entendimento do cenário e como é fácil se perder em alguns lugares para falar só sobre as batalhas, praticamente todos os Pokémon que encontrei estavam no nível 60. Se você caminhou bem no jogo principal, não deve ser um grande obstáculo. As torres da ilha (que só serão desbloqueadas quando você prosseguir o suficiente para ter a companhia de Kubfu) que geram a expectativa de ser algo mais desafiador também acabam por não surpreender, com batalhas 1×1 e sendo o único momento (penso) que você encontra outros níveis superiores a 60.

Para quem jogou Breath of the Wild e sente falta dos 900 Koroks, a expansão traz também a side-quest de uma busca por 151 Digglets de Alola, os com 3 cabelinhos na cabeça, sabe? A busca por eles é bem organizada, quando você captura um já sabe quantos faltam naquela região e isso “quebra” a busca em desafios menores que te deixam mais interessado em finalizar, mas não espere buscas elaboradas e prepare-se para exercitar sua vista de longe, já que basta apenas enxergar os cabelinhos fincados no chão para achá-los. Os esforços são compensados (quase que a cada dezena de Digglets entregues) com alguns Pokémon de Alola.

O que a Isle of Armor traz de novo

Apesar de não estarmos falando de uma execução perfeita, não dá para negar que a DLC trouxe muitas novidades legais. Além de toda a área nova possuir movimentação livre de câmera, uma Dex com novos Pokémon também revigora sua vontade de “pegar todos” e no caminho você encontra muitas carinhas nostálgicas.

Falando sobre nostalgia, não tem como não se sentir numa versão melhorada e futurista de Pokémon Yellow ao jogar com um Pokémon da sua party te acompanhando no mapa. A ideia sempre foi muito legal e ver o cuidado com as animações também foi bem satisfatório.

O Dojo também traz consigo novidades legais. É nele que tomamos a Max Soup, que nos permite “despertar” a forma de Gigantamax e também é no Dojo que entramos numa espécie de quest para aprimorá-lo. Para quem coleta watts e tem paciência em ver o progresso, pode ser bem interessante. Fora tudo isso, customizações para a bicicleta e o fato de você andar com um uniforme do Dojo o tempo todo também alimentam ainda mais essa sensação de que a aventura é diferente.

Veredito

É nítido o foco da franquia em fornecer uma experiência que seja acessível a todos, mesmo que isso inclua algumas frustrações para quem desenvolveu o bastante para estar preparado para desafios maiores. Tive que levar isso em consideração por várias vezes para acatar algumas decisões não só da DLC mas também do jogo principal, como por exemplo a falta da possibilidade de definir a dificuldade do jogo.

A área é assumidamente uma DLC e não parece ter problemas com isso. A campanha, que pode ser concluída entre 2 a 4 horas, faz um bom trabalho em delimitar exatamente o que você pode fazer e o que de fato fará, afinal, nem tudo lá é tão interessante ou atrai todos os tipos de jogadores. As trilhas sonoras que mais me cativaram são as lutas entre mestre e discípulo, com uma trilha bem voltada para temática Kung Fu mesclado com ninja, que é bem gostosa de ouvir.

Os personagens são cativantes o suficiente para te irritarem ou arrancarem uma risada na vida real. Falando exclusivamente do rival, Avary, temos cenas e diálogos dignos de um anime, com angulações e planos infalíveis que não surtem efeito nenhum, mas são divertidos de acompanhar.

A parte que mais enche os olhos, os Pokémon, são boa parte da experiência se manter concreta, e a possibilidade de correr ao lado do seu Pokémon preferido é muito cativante, mas essas duas vantagens sempre vem acompanhadas da amarga sensação de “por que raios isso não foi implementado desde o início?” mas com a doce sensação de “que bom que o fizeram”.