Desde que foi anunciado, Stray despertou uma curiosidade quase imediata por uma proposta tão simples quanto difícil de ignorar: colocar o jogador no controle de um gato em uma cidade cyberpunk. A ideia ganhou força rapidamente, mas o lançamento mostrou que havia muito mais por trás do carisma natural de seu protagonista.
Desenvolvido pela BlueTwelve Studio e publicado pela Annapurna Interactive, o jogo chegou originalmente em 2022 e passou por diferentes plataformas antes de finalmente encontrar seu caminho até os consoles da Nintendo. Depois de uma adaptação com limitações técnicas no primeiro Switch, Stray recebe agora uma versão para Nintendo Switch 2, aproveitando o novo hardware para se aproximar da experiência visual que ajudou a torná-lo tão reconhecido.
Lançado em 28 de maio de 2026, Stray foi analisado em parceria com a Nuuvem, nossa parceira de longa data. Vamos a ele.

Um gato perdido em uma cidade esquecida
A aventura começa quando um pequeno gato laranja acaba separado de seu grupo após cair em uma cidade subterrânea, isolada do mundo exterior e aparentemente abandonada pela humanidade.
O lugar, no entanto, está longe de ser vazio, pois é nesse cenário que o protagonista encontra B-12, um pequeno drone capaz de traduzir a linguagem dos robôs, acessar dispositivos eletrônicos e armazenar objetos importantes. A companhia também permite que o gato compreenda melhor o mundo ao seu redor, enquanto o próprio B-12 tenta reconstruir memórias sobre sua origem.
A relação entre os dois conduz boa parte da narrativa, enquanto B-12 assume o papel de voz e consciência daquela jornada, o gato pode se manter… um gato. Essa divisão funciona especialmente bem porque permite que o protagonista preserve sua natureza ao mesmo tempo em que a história desenvolve temas mais complexos.
É uma narrativa sobre liberdade, identidade e permanência, mas que nunca perde de vista a missão mais simples de seu protagonista: encontrar um caminho de volta para casa.
Pensar e explorar como um gato
Stray é uma aventura em terceira pessoa baseada principalmente em exploração, pequenos puzzles e sequências de plataforma. O gato pode correr, atravessar passagens estreitas, escalar estruturas e interagir com diferentes elementos espalhados pelos cenários.
Por trás dos letreiros luminosos e dos robôs carismáticos, Stray apresenta uma cidade marcada pelo isolamento e rastros deixados por seus antigos habitantes. Preferindo espalhar suas respostas pelos cenários, diálogos e memórias opcionais encontradas durante a exploração, a história se desenrola junto com a sua movimentação.
O jogo indica os pontos que podem ser alcançados, permitindo que o jogador se movimente entre caixas, telhados e tubulações. Essa escolha reduz parte da liberdade, mas torna a navegação fluida e ajuda a construir movimentos convincentes para o protagonista na perspectiva natural de um felino, o que deixa o jogador observar o espaço de outra maneira.
A aventura é relativamente linear, mas apresenta áreas mais abertas nas quais é possível interagir com robôs, itens e pequenos objetivos. Essa alternância faz bem ao ritmo e evita que a jornada se resuma a seguir um único corredor até o final.

Neon, ferrugem e vida artificial
A direção de arte não utiliza o cyberpunk apenas como uma escolha estética. Os ambientes ajudam a contar a história da cidade e de seus antigos moradores, apresentando uma sociedade construída sobre os restos de outra. Cada região possui uma identidade própria, mas todas carregam a sensação de estarem presas a um passado que não compreendem completamente.
No Nintendo Switch 2, o jogo finalmente encontra uma condição mais adequada dentro do ecossistema da Nintendo. A maior definição dos cenários permite observar detalhes que ajudam a construir aquele universo, enquanto o desempenho mais estável torna a movimentação e as sequências de perseguição mais agradáveis. O formato portátil também combina naturalmente com a estrutura do jogo. Como a campanha é dividida em capítulos e áreas relativamente compactas, é possível avançar em sessões menores sem prejudicar o envolvimento com a história.
A diferença se torna especialmente perceptível na iluminação, uma parte fundamental da identidade visual de Stray. Reflexos, placas luminosas e diferentes fontes de luz ajudam a destacar a profundidade das ruas e reforçam a atmosfera melancólica da cidade.
A trilha sonora acompanha essa proposta sem disputar constantemente a atenção do jogador. Em muitos momentos, o jogo permite que os ruídos da cidade, as máquinas e os próprios miados ocupem o espaço, utilizando a música com maior intensidade quando a narrativa ou a exploração exigem.
Muito além do “jogo do gato”
É fácil entender por que Stray chamou atenção inicialmente. A versão para Nintendo Switch 2 não transforma Stray em um jogo diferente, mas oferece um lar mais apropriado para ele dentro da família de consoles da Nintendo. A melhoria visual e o desempenho mais consistente ajudam a preservar características que haviam sido sacrificadas na adaptação para o primeiro Switch.
Stray poderia depender exclusivamente do carisma de seu protagonista, mas escolhe construir ao redor dele uma cidade interessante, uma narrativa sensível e personagens capazes de dar humanidade a um mundo sem humanos.
Pensar e explorar como um gato
