O Nintendo Switch passou 8 anos sendo palco de sucessos e experimentações. Kirby ganhou seu mundo em 3D, Link virou praticamente um engenheiro em Zelda e Mario entregou logo de cara o inesquecível Odyssey, que até hoje é uma das maiores referências do gênero. E parece que a Nintendo gostou tanto dessa fórmula que, a mesma equipe por trás da aventura do bigodudo agora está de olho em Donkey Kong, que diferente dos colegas, nem teve jogo próprio na geração passada. Viveu de participações especiais, spin-offs e relançamentos dos tempos de Wii e Wii U. Ótimo pra quem queria revisitar ou conhecer pela primeira vez, mas… novidade mesmo? Nenhuma. Até agora.
Agora no Switch 2, Donkey Kong Bananza chega com o ar de “evento principal” que merecia depois de ser pulado no Switch 1. Veio de gravata e tudo para esse evento! E não é para menos: é a primeira vez desde Donkey Kong 64 (lá em 1999) que o gorilão ganha um jogo totalmente 3D. E não qualquer jogo: Bananza chega prometendo ser o Odyssey do DK, com tudo que isso carrega: carinho, escopo ambicioso e uma estreia que irá marcar o novo console como o lar definitivo da plataforma moderna.
Depois de tanto tempo e tantas voltas… será que DK ainda segura a bronca de protagonizar um grande lançamento?
Descubra agora na nossa análise de Donkey Kong Bananza, lançado exclusivamente para o Nintendo Switch 2 no dia 17 de julho de 2025. Nossa análise foi feita graças a uma chave fornecida pelo nosso parceiro Nuuvem e você pode conferir garantir a sua cópia clicando aqui.

A história… erhm, bom… o jogo é sobre…
Não espere aqui um épico narrativo, porque a Nintendo sabe exatamente o que está entregando e como entregar — e esse algo é gameplay em primeiro lugar. O jogo começa na Ilha Lingote, uma região com foco em mineração e muitos operários, que recebem a visita de Donkey Kong que chega metendo o pé (e o soco) em tudo, atrás das suas queridas bananas, até que um evento maior o colocar de encontro com o subsolo e suas profundezas.
Por mais escuro e solitário que isso possa soar, o jogo vai na linha contrária, mostrando as mais belas paisagens subterrâneas e muito, mas muito o que se explorar para que o engravatado busque seus tão queridos cachos dourados por aí. É durante essa busca que DK conhece uma estranha pedra, com alguns aparentes selos e a vontade de voltar para a superfície. Estes selos são da Void Company, uma empresa de mineração comandada pelo vilão e presidente da empresa, Void Kong, ao lado de seus capangas com a intenção de roubar bananas e a nova companheira de DK.
E a tal pedrinha é ninguém menos que Pauline, em uma versão bem mais jovem da qual estamos acostumados, brilhando com sua voz ao ajudar DK a achar suas bananas, enquanto o mesmo a ajudará a voltar para a superfície.
Talvez esse seja o ponto mais fraco do jogo: a introdução ao enredo e motivações. Não que a história precise ser ultra elaborada (Mario está há anos nos provando não ser necessário), mas há momentos em que o contexto parece vir mais de horas de jogo e materiais de marketing do que do próprio início da jornada. Se você é do tipo que gosta de cutscene inicial com tudo bem amarrado… respira. Vai precisar de algumas horinhas até o enredo fazer sentido por completo.

Com tanta mecânica nova, bananas são só um detalhe
Se no parágrafo anterior eu te pedi paciência, aqui eu te peço só uma coisa: tranquilidade. Porque Donkey Kong Bananza é tão envolvente em sua proposta, que é fácil perder a noção do tempo. E quando você percebe… já passou horas socando tudo e avançando na exploração. Com tanta coisa nova para aprender e conhecer, a história vem junto no combo.
O jogo gira em torno de “quebrar coisas”, então você vai destruir o cenário inteiro o tempo todo, mas de forma inteligente. A mecânica é super bem delimitada: o que pode ou não ser quebrado fica claro tanto visualmente quanto na própria estrutura do level design. É quase como aqueles desenhos dos anos 90 em que você já sabe qual parte do fundo vai se mover, sabe? Só que aqui isso é bem mais moderno, bem mais orgânico e zero frustrante.
Os comandos são intuitivos (B, Y e X servem pra socar pra baixo, pra frente e pra cima, respectivamente), e os movimentos clássicos da série como pulo, tapa e rolamento estão todos aqui.
E como se não bastasse, temos agora transformações. Guiadas pela voz da Pauline e alimentadas com ouro coletado pelas fases, essas formas Bananza especiais do DK servem tanto para aumentar o fator exploração quanto para resolver desafios específicos. É quase como uma mistura de Cappy em Odyssey e os as habilidades dos Campeões em Zelda, já que são ferramentas que auxiliam em mobilidade e destruição.

Visualmente falando: obrigado por cuidar tão bem do macaco, Switch 2
Alguns dias antes do lançamento, um quadro de entrevista chamado Ask the Developer revelou que o jogo começou projetadao para o Switch 1 e depois foi migrado para o Switch 2. Por um lado, bate até um quentinho no coração saber que DK teria sua chance no console anterior. Por outro… ainda bem que veio agora.
Donkey Kong Bananza é um colírio. É lindo. É polido. É vibrante em qualquer cenário apresentado. O uso de luz e texturas dá uma profundidade rara para jogos do gênero e mostra que o Switch 2 tem capacidade para propor as maiores e melhores experiências Nintendo, chegando para mudar o jogo. Literalmente.
A cereja disso tudo talvez seja o novo visual do DK, que foi reformulado já em 2023 para o filme do Mario, usado também no Mario Kart World, mas agora com o protagonismo que merecia. E com muito carisma e personalidade, diga-se de passagem.

Pauline dublada em português. Sim, você leu certo
Outro ponto altíssimo: a localização. Pauline é a única personagem com dublagem completa e em todos os idiomas, inclusive o nosso. E que trabalho bem feito. A dublagem brasileira ficou ótima, com muita emoção, entonação certeira e carisma de sobra.
Os outros personagens falam uma linguagem própria (tipo um “kongês”, digamos assim), e aí entram as legendas. A localização tá cheia de trocadilhos, expressões bem brasileiras e um tom que combina perfeitamente com o humor do jogo. É daqueles casos em que você vê que teve cuidado, algo que importa muito, principalmente para um personagem que passou tanto tempo à espera de sua aventura individual.

Nostalgia, cosméticos e trilha sonora de respeito
Bananza sabe agradar fãs antigos e novos.
As referências à série clássica estão por todo lado: seja nos sons, nos visuais, nos inimigos ou até em certos trechos de fases que parecem reciclados diretamente da memória afetiva. A trilha sonora brinca com temas antigos e novos, misturando percussão e momentos orquestrados que surpreendem. DK nunca foi sobre “melodia”, mas depois de tantas boas memórias com a série Country, é um alívio ver que aqui ele entrega um repertório respeitável.
Na parte cosmética, assim como em Odyssey, ao invés de Luas, aqui você troca fósseis espalhados pelas camadas subterrâneas por novos trajes para DK e Pauline. Indo além do visual, os cosméticos afetam gameplay: aumentam velocidade, alcance, resistência… o que faz com que você realmente queira explorar 100% do mapa.

Considerações finais: Donkey Kong está de volta.
A força de DK vai além da física. Ele carrega a nossa nostalgia, a memória dos tempos de DKC, o legado de um personagem que sempre foi coadjuvante de luxo. E agora, mais de 11 anos após o último jogo inédito e quase três décadas desde o último título 3D, Donkey Kong finalmente brilha de novo.
Bananza é um baita título de lançamento.
Tem carisma, tem gameplay afiada, tem conteúdo para dezenas de horas e, acima de tudo, tem identidade. É um jogo que sabe o que quer ser, e consegue. Se Odyssey foi o jogo que definiu o Switch original, Bananza tem tudo pra ser o símbolo do Switch 2. Com o apoio ao GameShare e com Coop, consegue ainda agregar valor ao ecossistema Nintendo, mesmo estes não sendo principal motivo de compra do jogo e console.
Donkey Kong voltou. E voltou quebrando tudo. Como tem que ser.

