O raio que caiu duas vezes no mesmo lugar
A série Metroid Prime chegou em 2002 para o GameCube e fez algo raro: uma segunda onda de sucesso para uma mesma franquia. Transformou o clássico 2D em um marco do 3D e conquistou uma nova base de fãs. A recepção foi tão positiva que a série Prime não tinha como parar por ali, rendendo duas sequências e fechando uma trilogia em 2007.
Quando a Nintendo mostrou ao público apenas um logo em 2017, confirmando que Metroid Prime 4 estava em desenvolvimento no primeiro ano do Switch, ela reacendeu uma promessa. Essa promessa passou por desafios, por um reboot completo em 2019, pela pandemia e por uma troca de geração de consoles.
Com todos esses desafios, em 4 de dezembro de 2025, finalmente jogamos Metroid Prime 4: Beyond, disponível para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. É um lançamento com missão dupla: encerrar a era do Switch original e inaugurar a nova geração com autoridade.
Esta análise foi feita com a chave fornecida pela Nuuvem, nossa parceira oficial. E com o apoio e suporte de sempre da Nintendo Brasil. Você pode garantir sua cópia de Metroid Prime 4 através desse link. Agora vamos ao jogo.

Quando a Federação é arrancada do eixo
A história é direta, e isso parece intencional, porque boa parte da graça de Metroid é ser jogado à deriva em um ambiente hostil. Sylux ataca as instalações da Federação Galáctica e arrasta Samus e um grupo de soldados para um planeta desconhecido.
Apesar da simplicidade, há mais ambição cinematográfica do que em qualquer outro Prime.
As cutscenes são bonitas, bem dirigidas e, no Switch 2, impressionam de verdade. A apresentação tem peso, ritmo e uma pegada que lembra um filme de ficção científica com alto orçamento.
Outro ponto que surpreende é a introdução de Myles MacKenzie na história, um segundo personagem que acompanha Samus em partes da aventura após seu resgate. Ele não rouba a cena, não quebra o isolamento clássico, mas acrescenta textura narrativa e dá mais “presença” à jornada, mesmo com diálogos retóricos entre ele e a caçadora de recompensas, que segue sem falar nesse novo capítulo.
Isso torna a aventura mais completa e até mais divertida narrativamente, abordando contexto e tutoriais para novos entrantes. MacKenzie é visto como um expert operacional, então sua contribuição “pós-tutorial” é servir como uma base amiga com novas informações. Bem similar ao que o Adam já representou em outros jogos da franquia, apenas com uma outra roupagem.

Um novo padrão para a Nintendo enxergar o próprio futuro
Não é exagero colocar Prime 4 como o jogo mais bonito já lançado pela Nintendo. Pela primeira vez, a empresa tenta representar humanos com menos estilização, e isso ajuda a elevar tudo ao redor. O realismo reforça o impacto do fantasioso e cria um contraste muito mais claro.
Os cenários são densos, com flora e fauna próprias, iluminação cuidadosa e sensação real de profundidade. Rodando no Modo Desempenho a 120 fps no Nintendo Switch 2, o jogo entrega uma fluidez que transforma combate e exploração. E mesmo no Modo Qualidade, a direção de arte finalmente coloca Metroid Prime no patamar visual que ele sempre mereceu ocupar e onde ele sempre pareceu querer chegar.

O eco familiar em uma galáxia que mudou
A trilha sonora mantém a alma sci-fi da série, mas com uma abordagem mais épica e emocional. Há momentos em que a trilha funciona como Breath of the Wild, guiando o jogador com sensibilidade e sutileza, reforçando tensão e silêncio, elevando emoção em picos certeiros, sem perder a identidade de aventura enigmática que sempre acompanhou Metroid Prime
Cada área tem sua própria identidade musical, e a trilha é fundamental para que essas transições funcionem. A ambientação depende da trilha sonora para carregar peso, mistério e impacto e ela ajuda (e muito!) a carregar essa mudança de clímax.

Liberdade que se traduz em criatividade
A jogabilidade é onde Metroid Prime 4 mostra como a Retro Studios evoluiu a série nesses anos de espera. A base é familiar, mas existe uma camada de versatilidade e inventividade que torna tudo mais expressivo. Grande parte disso vem dos novos recursos do Nintendo Switch 2.
Uma caixa de ferramentas que se molda ao jogador
O novo Modo Mouse funciona melhor do que o esperado. É preciso, confortável (apesar de não ergonômico para alguns) e essencial em momentos de ação intensa. Alternar entre ele, a mira clássica e os motion controls é simples e fluido, sem engasgos.
Senti falta de um “modo híbrido” no estilo Splatoon, onde o analógico controla a horizontal e o giroscópio a vertical, mas o que temos aqui já é muito sólido.
Essa liberdade redefine como você lê cada encontro e como reage ao que vê na tela.
Mecânicas que expandem o que já existia
A mira travada foi aprimorada. Agora é possível mover a mira dentro do quadrante, o que abre espaço para puzzles melhores, inimigos mais elaborados e com mais pontos de dano espalhados, e um nível novo de precisão.
Os novos poderes psíquicos da Samus também ampliam a exploração e o combate, criando situações novas sem quebrar a identidade de Metroid Prime.

A criatividade será posta à prova
Toda essa base mecânica prepara o terreno para os chefes, que continuam sendo um dos grandes destaques da série. Cada um funciona como um teste natural do que você aprendeu até ali. Nada é repetitivo e nada parece colocado por acaso.
Apesar disso, o combate pode parecer lento em alguns momentos, colocando alguns encontros com uma leve sensação de repetição, o que pode quebrar um pouco o fluxo da exploração em algumas situações.
A ambição geral do jogo supera esses tropeços, mas é inegável que existem trechos onde o jogo poderia ser mais dinâmico ou aproveitado de forma ainda mais criativa algumas lacunas.

O fim de uma era e o início de outra
Metroid Prime 4 demorou, mas chegou com impacto.
A chegada do Português Brasileiro como um idioma oficial é algo ideal para essa franquia. A leitura de todo o ambiente através do escaneamento é algo corriqueiro e extremamente textual. Poder ter essa experiência na língua nativa é prazeroso em níveis inexplicáveis.
Ao se despedir oficialmente do Nintendo Switch e sendo uma apresentação perfeita para o Nintendo Switch 2, Prime 4 respeita a trilogia, acrescenta novidades, não perde identidade e aponta claramente para onde a franquia pode evoluir.
É impossível não ser tomado por um imaginário potencial de um jogo completamente desenhado para o hardware mais atual da Nintendo. Mas fora essa frustração, Metroid Prime entendeu seu papel e o expande com confiança.

